
E FIQUEI DANDO VOLTAS pelas ruas próximas ao fast food só para dar o tempo de vê-lo sair e conversar sobre as novidades – sentei na calçada e brinquei com um graveto de madeira – a muitos anos não chovia como neste, mas agora o sol voltou a reinar e todas as árvores estão crescendo fortes – o passado veio abafado para me testar – mas não tive escolha de ser como sou – então aceito meu silêncio e acredito quando sou guiado pelos meus olhos curiosos – fui marcado por tudo o que é humano e minha juventude foi transformada do mito para o agora – as ilusões se desfazendo, as alucinações do encantamento religioso, as obrigações da felicidade social – o ar não tem dono – queria dizer tudo isso a ele, mas quando nos reencontramos ele me disse que era dia de ver seu filho – no carro conversamos sobre suas dificuldades financeiras, sobre não poder acompanhar o crescimento do seu filho e contribuir com sua formação – o olhar grave não negava a preocupação – o pequeno veio alegre e inocente – brincaram no parque – cambalhotas no gramado, vôos nos balanços – tomamos sorvete e lemos poemas – então nos despedimos sem filosofias.
(publicado no jornal meio norte / for teens - teresina 30 07 09)
(publicado no jornal meio norte / for teens - teresina 30 07 09)

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