
LEMBRO DE UMA VEZ em que nos falamos por telefone e conversamos sobre sermos como veleiros ou barcos piratas que não vinham de lugar nenhum, nem estavam indo em direção a rotas pré-definidas – vamos erguer bandeiras pretas – dissemos – nossas conversas eram assim, sem muito sentido – mas esse era todo o sentido, entende! – enquanto nossos amigos da mesma idade dialogavam sobre sexo, sobre conquistas materiais e todas essas futilidades do espírito, nós usávamos a fala como uma canção instrumental – lembro que na noite daquele telefonema estávamos separados fisicamente por muitos quilômetros, mas nossos sentimentos se conectavam em algum espaço relativo, muito mais abstrato que qualquer medida possível.
(publicado no jornal meio norte / for teens - teresina pi / 20-08-09)
(publicado no jornal meio norte / for teens - teresina pi / 20-08-09)
