Deixa Ir


HAVIA, ALÉM DAS ANOTAÇÕES RÁPIDAS, um suspiro seco ecoando pelo ar – a casa, quando se fazia notar, revelava detalhes comuns – eram texturas pintadas pelo tempo, portas e janelas abertas – móveis empoeirados – de nada adiantava que ele recolhesse as pétalas murchas, mas por não saber catou uma a uma e montou uma nova rosa, sem cor, sem graça – saudades da primavera, saudades daquela casa – alinhou-se esse pensamento quando olhou para um porta-retrato – palavras se organizaram sem sentido definido – era, a partir de agora, um futuro que não precisava mais ser conquistado – e então tudo aquilo, as anotações, aquela casa, as flores secas e as fotos amareladas desapareceram como uma imaginação – ele ainda tocou o chão e sentiu a terra, mas a mulher gritou seu nome – ele olhou para o carro e sorriu para ela e para seus dois pequenos filhos.

(publicado no jornal meio norte - for teens / 12/08/09)

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