Espontaneamente Criança


SE A VIDA É TÃO CURTA, por que fazemos tantas coisas que não gostamos e gostamos de tantas coisas que não fazemos? – ela me deixou com esse pensamento da última vez que nos falamos – e foi assim que liguei pra ele e nos encontramos para um passeio leve, sem tempo – sentamos em um banco na frente do riacho ouvindo Nico, vendo pássaros coloridos indo pra lá e pra cá – mas a pergunta dela não saia da minha cabeça – o que é pior, falhar ou nunca tentar? – pensei quando nossos olhos se encontraram no último raio de sol daquela tarde – posso te beijar? – ele ainda me olhou por um breve instante – pegou uma pedra no chão e arremessou no riacho – e a partir daí foi tudo uma grande brincadeira de arremessar pedras maiores e mais distante e sorri com as ondas dançando – depois entendi que havíamos feito um pacto silencioso de preservar um sentimento delicado: a nossa infância – uma espécie de norte quando estamos sem direção no mundo adulto cheio de regras, escolhas, posturas e uma sufocante pressão de ser algo além do que se já é.

(publicado no jornal meio norte - for teens / teresina pi - 06/08/09

1 comentários:

olavo disse...

por que ninguém comenta aqui?
texto ótimo!